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O que é que se bebe aqui?

11/03/2026

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O que é que se bebe aqui?

Com a inflação a estabilizar e o tempo mais aprazível, os portugueses saiem mais de casa, o que impulsiona o consumo fora do lar.

A maior presença dos compradores fora de casa potencia, de forma natural, o seu consumo. Por isso, o setor acaba por crescer 5% (vs. o ano a terminar no primeiro semestre de 2024) em ocasiões de consumo, sobretudo por via da frequência e não tanto pela conquista de novos compradores. Nesse cenário, as bebidas frias lideram o crescimento, com +11% em ocasiões de consumo, seguidas pelas refeições principais.

Todos os canais contribuem para este aumento, mas o Canal Dinâmico (compras realizadas nos supermercados para consumir fora do lar) é o único a atrair novos compradores. A par deste, o Horeca Independente e o Canal Impulso (máquinas de vending, quiosques, áreas de serviço / postos de combustível, etc) impulsionam frequência e ocasiões. Enquanto o Horeca Organizado atua como o canal gancho à repetição de consumo.

Diz-me onde estás, dir-te-ei o que bebes

Fora de casa, a água sem gás, cerveja com álcool e colas são as bebidas frias que geram mais ocasiões de consumo. Sendo as duas primeiras, juntamente com os néctares, as que mais contribuem para o incremento do consumo. Já a água tónica, água sem gás com sabor e a cerveja sem álcool evidenciam-se pelo seu crescimento absoluto, tendência que reforça o dinamismo destes produtos no mercado.

O Horeca Independente – canal ideal para gerar curiosidade sobre novas bebidas – é o principal dinamizador destes três produtos, levando novos compradores a experimentar água sem gás com sabor e cerveja sem álcool e a estimular a frequência de consumo para água sem gás com sabor e água tónica. Tendo, além destes, potenciado o Ginger Ale e as bebidas espirituosas simples, reforçando a importância do digestivo no final da refeição. Contudo, no final do dia, a água lisa, a cerveja com álcool e o vinho continuam a ser os pilares deste canal, porque há hábitos que se mantêm.

No Canal Dinâmico a conveniência é imperativa, por isso é fundamental ter o produto certo para o “on the go”. A água sem gás, os néctares e as colas são os produtos core. Mas a cerveja com álcool e a água gaseificada com sabor foram os produtos que mais se desenvolveram no último ano.

A água sem gás, os néctares e os sumos naturais lideram os produtos mais consumidos no Canal Impulso, além destes também o iced tea tem um desenvolvimento assinalável nas ocasiões de consumo, com as colas a saírem do top-3 de produtos mais consumidos neste canal.

Já no Horeca Organizado, o menu ajuda a ditar as regras, promovendo um consumo mais padronizado e suscetível aos acordos entre as cadeias e as marcas. Colas, água sem gás e iced tea dominam as escolhas, mas os refrigerantes gaseificados de fruta e cerveja com álcool puxam pelo crescimento do canal. As marcas que conseguem incluir-se no combo certo ganham vantagem competitiva.

No Delivery, a lógica muda totalmente. A água sem gás fica fora do top-3 porque “água eu tenho cá em casa, obrigado”. Colas, néctares e iced tea destacam-se, reforçando a importância dos acordos que as marcas fazem para potenciar estas categorias e o seu alinhamento com as preferências do consumidor, mais indulgente mas planeado.

O local de consumo influencia de forma clara a escolha da bebida, mas há mais fatores determinantes. E para perceber isso convido-vos a ler o próximo ponto.

Esta bebe-se bem com o quê?

Quem gosta de comer sabe que se dá um casamento perfeito quando se tem a bebida certa a acompanhar aquele prato.

Em 43% das ocasiões em que os portugueses decidem comer pizza, colas é o segmento escolhido para acompanhar, com o iced tea a vir em segundo lugar. Porém, os casamentos com colas e iced tea não ficam por aqui, se a escolha for hambúrguer estes dois produtos somam 73% das ocasiões de consumo, seguido dos néctares, que de muito perto piscam o olho ao iced tea.

Mas nem tudo vai bem com colas e iced tea. Nos pratos mais tradicionais, sejam de carne ou peixe e marisco, sobressaem a água sem gás, o vinho e as colas como acompanhamento preferencial. A cerveja com álcool destaca-se com carne e marisco, enquanto a sem álcool sobressai com peixe. Gasosas de lima-limão e água gaseificada com sabores ganham espaço nos pratos de marisco. Uma tendência para mantermos debaixo de olho.

Com burritos ou tapas, os portugueses valorizam tanto as colas e os iced tea como as gasosas de lima-limão e os refrigerantes de fruta. Torradas, empanadas ou sanduíches, devido ao seu carácter mais de refeição leve ou snack, são comummente acompanhados por sumos naturais e néctares.

O palato dos portugueses é claro: o pairing certo transforma as refeições mais simples em memórias inesquecíveis.

O momento certo para beber

O consumo de bebidas frias fora de casa não acontece por acaso, está relacionado com o ritmo do dia, as rotinas laborais e sociais, bem como pelas motivações dos portugueses. É nessa intersecção entre momento, canal e intenção que estão as maiores oportunidades para as marcas.

Os três momentos core são o almoço (36%), o jantar (21%) e o lanche da tarde (15%), aqui concentram-se a maioria das ocasiões de consumo, mas há um momento em franco desenvolvimento: o meio da manhã, que regista o maior crescimento absoluto. Um momento de pausa rápida entre tarefas, onde a água sem gás e os néctares são protagonistas – e a crescer. Escolhas ligadas à hidratação e naturalidade, na procura por algo saudável e leve, que encaixe no ritmo do dia.

Ao almoço, o consumo é mais diversificado. A água sem gás, as colas e o vinho mantêm-se core, mas são a cerveja com álcool, as espirituosas simples – o clássico digestivo – e refrigerantes de fruta que mais impulsionam as ocasiões. Este padrão pode sinalizar uma ligeira viragem para escolhas mais indulgentes. Em termos absolutos, destacam-se a água sem gás com sabor e a cerveja sem álcool.

No jantar, um maior equilíbrio entre prazer e hidratação. A cerveja com álcool, a água lisa e o iced tea são os que geram mais pontos de contacto com os consumidores. A estes juntam-se os néctares como produtos com maior desenvolvimento. Neste momento, a cerveja sem álcool, as espirituosas simples e a água gaseificada com sabor registam ganhos relevantes — sinal de que os consumidores estão recetivos a novas propostas, que encaixem no contexto.

Mas os momentos só ganham força quando cruzados com as motivações certas. As escolhas não são apenas racionais, são profundamente motivadas por estados de espírito, contextos e intenções. As três principais motivações para o consumo de bebidas fora de casa são “sair para beber algo” (21%), “Impulso/sem planear” (21%) e “Prazer / relax” (16%).

Quando os portugueses “saem para beber algo” ou consomem bebidas por “prazer”, a cerveja com álcool é o copo que bebem e continua a ser a maior potenciadora de ocasiões. Já quando é movido por “impulso”, crescem os néctares e a água sem gás, embora a cerveja com álcool e as colas continuem a ser figuras principais.

Todavia, as motivações que mais contribuíram para o incremento do consumo de bebidas foram o “sair para beber algo” e “estar a trabalhar”. Este último reforça a importância do regresso ao trabalho presencial, com novas rotinas e momentos de consumo fora de casa. Neste contexto, a água sem gás tem um papel preponderante, seguido das colas e do iced tea.

O consumo fora de casa abre uma miríade de oportunidades às marcas para crescerem em compradores e frequência. Compreender os momentos, canais e motivações dos portugueses é essencial para agir com impacto. As marcas devem avaliar em que momentos é necessário expandir portefólios ou aumentar a sua presença ao longo do dia, aproveitando tendências emergentes. Oportunidades não faltam, bom tempo também não. Vamos a isso!

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Daniel Cruz
Senior Client Executive

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